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Rio Jequitinhonha

PROCEDÊNCIA:

O Rio Jequitinhonha nasce na cordilheira do Espinhaço, na serra da Pedra Redonda, em Milho Verde, lugarejo próximo da cidade de Serro - MG, banha o nordeste mineiro e ruma para o sul da Bahia e deságua no Oceano Atlântico na cidade de Belmonte, depois de percorrer cerca de 1.090 quilômetros.

O Jequitinhonha é naturalmente dividido em duas partes: rio de pedra e rio de areia, podendo se subdividir a primeira parte em quatro seções: a primeira parte, das suas nascentes até a confluência do Rio Araçuaí, no lugar nominado “Pontal”; a segunda, daí até o município de Jequitinhonha, na Pedra do Bode; a terceira, daí até a Pedra do Italiano, ponto de divisa entre os estados de Minas Gerais e Bahia; a quarta, daí até Cachoeirinha, onde começa o rio de areia.

OUTROS NOMES:

Como todos os rios que atravessam regiões distintas e fronteiras políticas, o Jequitinhonha seguiu uma direção histórica traçada pela natureza, recebendo diversos nomes, ora de origem histórica, ora de origem toponímica, tais como:Massangano, Rio das Pedras, Rio da Areia, Jequitinhonha do Campo, Jequitinhonha das Matas, Rio Encantado, Rio Grande, Giquiteon, Jequié-tinhong, Patixá, Yiki-tinhonhe, Gacutinhonha, Igiquitinhonha, Gequitinhonha, Giquitinhonha, Jacutinhonha, Jiquitinhonha, Rio Grande de Belmonte, para finalmente receber o nome que traz hoje.

POESIA:

“O rio e o vale, o vale e o rio

Jequitinhonha, tu és Brasil”.

(O rio e o vale - Luciano Camargo)

LENDAS E SIGNIFICADOS:

Muito se diz do significado da palavra Jequitinhonha. Segundo Teodoro Sampaio em “O Tupi na Geografia Nacional”, é provável que o termo provenha da língua dos botocudos, significando ”rugido de onça”. Alguns pesquisadores afirmam que Jequi significa “cheio de peixe” e tinhonha, “rio largo”. Outros afirmam que yiki-tinhonhe significa o jequi mergulhado ou assentado n’água.
No entanto, um dos significados mais interessantes vem de uma lenda que diz que a palavra Jequitinhonha tem sua origem na língua tupi-guarani: "jequi" é armadilha ainda muito usada na região até hoje, em forma de um "puçá" (pequena rede de pesca, em forma de cone curto, presa a um aro circular de madeira munido de cabo, utilizada pelos índios brasileiros para pegar peixes miúdos), para pegar peixe, que os índios chamavam de "onha". Diz a lenda que o pai, morador das barrancas do rio, armava o jequi no rio ao entardecer e na manhã do dia seguinte, pedia ao filho: "vai menino, corre lá no rio e veja se no jequi tem onha.

VIDA E HABITAT:

Durante suas cheias, as águas carregadas de argila avançam sobre as margens, formando terrenos sedimentares. Esses solos úmidos, de textura muito fina e avermelhada, formam um perfeito habitat para o guaiamu ou goiamum, uma espécie de caranguejo, o que faz de Belmonte um exportador dessa iguaria e como não era para menos, leva uma fama de "Capital do guaiamum" . Mas não é só o guaiamum que habita por aqui, infinidades de espécies moram coletivamente nessa natureza barrenta como os aratus, caranguejos, ostras, siris, camarões, lambretas, mexilhões, peixes variados e uma enorme diversidade de aves convivendo harmonicamente.

PASSEIOS ECOLÓGICOS:

Entre Belmonte e Canavieiras, uma região de manguezais esconde uma paisagem primitiva, com uma biodiversidade impressionante. Um passeio fluvial entre os dois municípios desvenda um cenário de ilhas, praias, coqueirais e uma curiosa população ribeirinha, num lugar ainda pouco explorado pelo turismo. Vale lembrar que a Barra do Peso é um lugar lindo e impressionante. Um passeio pelos arredores desse lugar é indispensável.
Em Canavieiras, uma vasta região de manguezais compõe um cenário selvagem que margeia o litoral. São 90 milhões de metros quadrados de manguezais que escondem 18 ilhas e inúmeras ilhotas, habitat de uma rica variedade de aves, peixes e mariscos. Não é à-toa que
Canavieiras é conhecida como a“Capital do Caranguejo” e Belmonte, como a “Capital do Guaiamum”.

Essa diferença entre as duas cidades ocorre em função dos rios que deságuam próximos a elas, formando estuários de características diferentes.

O rio que desagua em Canavieiras é o rio Pardo e percorre imensas baixadas alem de receber vários afluentes, dentro de uma região de influência marinha. As características desse estuário, que se estende até Comandatuba, mais ao norte, é voltada mais para os manguezais, que se desenvolvem sobre uma lama escura, rica em microorganismos e diariamente alagada pela água salgada da maré cheia. Ali vivem os caranguejos, aratus, ostras, mexilhões e lambretas.

Esse estuário é também considerado o maior pesqueiro de robalo do país e várias competições esportivas já foram realizadas na região, algumas já viraram até tradição, a mais famosa é a Gincana de pesca do Marlin.